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EM DEFESA DOS ARBITROS DE FUTEBOL
Será que com o fim da polêmica não acabam também o fascínio e a magia do futebol?

O futebol é um sucesso mundial. Nunca li nenhum estudo que explicasse esse fenômeno mas me arrisco a dizer que boa parte desse sucesso se deve às suas tantas imperfeições e incoerências, pois é daí que saem as principais polêmicas que incendeiam os corações dos torcedores. Dentre essas imperfeições e incoerências está a atuação dos árbitros de futebol.

O árbitro tem que se deslocar quase que na velocidade da bola. Deve acompanhar a jogada tão de perto quanto possível, mas sem atrapalhar a movimentação dos jogadores e sem ser atingido pela bola, às vezes desviando-a involuntariamente. Tem que ter uma visão de águia para ver detalhes que acontecem na velocidade de um raio e ainda interpretar movimentos maliciosos dos jogadores buscando anular o adversário ou cavando faltas e pênaltis. Imagine a dificuldade do árbitro quando esses lances acontecem, por exemplo, no meio de quase duas dezenas de jogadores aglomerados e movimentando-se freneticamente na área no momento de uma cobrança de escanteio.

Acertar ou errar é parte do jogo

No futebol, os resultados são definidos tanto pelos acertos e erros de uma equipe quanto pela incidência da sorte ou do azar. É um cruzamento que acaba indo direto para dentro do gol, um frango do goleiro, um passe errado do zagueiro, um gol contra, e por aí vai. O fato de um gol ter sido gerado pela falha de um jogador ou pela sorte inexplicável de outro não invalida o gol. Quando consideramos o árbitro como mais um protagonista do jogo, passamos a ver sob outra perspectiva as suas possíveis falhas. É lógico que não é desejável um árbitro que erre ou o faça com freqüência, assim como não é bom para o jogador que falha constantemente ou que é considerado azarado. No caso do jogador, este terá sua vida profissional abreviada, recusado pelos clubes. No caso do árbitro, provavelmente será afastado dos grandes jogos e competições. Mas como o futebol é complacente com aquele jogador que eventualmente erra, nada mais justo que tal benefício se estenda também aos árbitros. Nesta Copa do Mundo, alguns casos flagrantes de erros de arbitragem repercutiram como escândalos, ainda que não tenham decidido diretamente o destino de nenhuma seleção. Não se pode por em dúvida a lisura e a competência dos árbitros envolvidos uma vez que ali estão os melhores do mundo, atuando sob o olhar severo dos dirigentes e da audiência internacional. Aos árbitros só interessa mostrar eficiência e responsabilidade. Fala-se em implementar recursos tecnológicos para tirar dúvidas sobre os lances polêmicos, como o uso de chip na bola ou consultas a câmeras de televisão estrategicamente posicionadas para esse fim. Pode ser que terminem as reclamações posteriores sobre a atuação dos árbitros. Mas será que com o fim da polêmica não acabam também o fascínio e a magia do futebol?
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